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O que o governo Trump alegou para ser contra classificar tráfico de escravizados como crime hediondo na ONU?

O presidente de Gana, John Dramani Mahama, discursa na Assembleia Geral da ONU durante sessão para votação de resolução que considera o tráfico de escravi...

O que o governo Trump alegou para ser contra classificar tráfico de escravizados como crime hediondo na ONU?
O que o governo Trump alegou para ser contra classificar tráfico de escravizados como crime hediondo na ONU? (Foto: Reprodução)

O presidente de Gana, John Dramani Mahama, discursa na Assembleia Geral da ONU durante sessão para votação de resolução que considera o tráfico de escravizados africanos como o pior crime da humanidade, em 25 de março de 2026. Jeenah Moon/ Reuters "Não reconhecemos o direito à reparação por injustiças que não eram ilegais quando aconteceram." Essa foi a fala do vice-embaixador dos EUA, Dan Negrea, antes da votação na Organização das Nações Unidas (ONU) que reconheceu o tráfico transatlântico de africanos como um dos crimes mais graves contra a humanidade, nesta quarta-feira (25). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 A resolução foi aprovada por 123 países. Apenas três — Estados Unidos, Israel e Argentina — votaram contra. Outros 52, entre eles Reino Unido, Portugal e Espanha, se abstiveram. O representante do governo Trump também classificou a proposta como 'cínica', argumentando que ela usaria injustiças históricas para justificar a realocação de recursos modernos a 'pessoas e nações que têm pouca relação com as vítimas históricas'. Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos manifestaram preocupação com o fato de a resolução poder implicar uma hierarquia entre crimes contra a humanidade, tratando alguns como mais graves do que outros. “Os Estados Unidos também se opõem veementemente à tentativa da resolução de classificar crimes contra a humanidade em qualquer tipo de hierarquia”, disse ele. “A afirmação de que alguns crimes contra a humanidade são menos graves do que outros diminui objetivamente o sofrimento de inúmeras vítimas e sobreviventes de outras atrocidades ao longo da história”, disse o representante do governo de Donald Trump. Israel seguiu a mesma linha de argumentação dos norte-americanos, citando preocupações semelhantes. Já a Argentina não apresentou justificativas detalhadas, mas o posicionamento não surpreende — já que desde a posse de Javier Milei o país tem se alinhado com frequência a Washington e Tel Aviv nas votações da ONU. A resolução ocorreu em sessão especial da assembleia da ONU para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, todo 25 de março. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, em imagem desta segunda (13) Evelyn Hockstein/Pool TPX/Reuters A proposta A proposta, apresentada por Gana, não tem caráter vinculante, mas busca ampliar o reconhecimento internacional das consequências da escravidão transatlântica e abrir caminho para debates sobre reparações. Segundo o governo ganês, os efeitos da captura e do tráfico de ao menos 12,5 milhões de africanos entre os séculos XV e XIX ainda persistem, especialmente nas desigualdades raciais. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, disse à Assembleia Geral da ONU que são necessárias "ações muito mais ousadas" de mais Estados para confrontar as injustiças históricas. O texto aprovado incentiva os Estados-membros a discutirem medidas como pedidos formais de desculpas, devolução de artefatos históricos e possíveis compensações financeiras. Para autoridades do país africano, a iniciativa representa um passo em direção à responsabilização por injustiças históricas. O professor de direito da Universidade Howard, Justin Hansford, afirmou à agência de notícias Reuters que a resolução representa o maior avanço da ONU no reconhecimento da escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade e no pedido de reparações. Por outro lado, apesar da proposta, o governo ganês tem sido criticado por defender a justiça por injustiças passadas no cenário internacional, enquanto simultaneamente pressiona por leis anti-LGBT mais rigorosas em seu próprio país.